Juliana Martucci Martins
O que algumas pessoas chamariam de período de fraqueza ou fragilidade, eu chamo de Vale da Consolação. Em alguns momentos da vida, o Espírito Santo nos conduz para estes vales, para que  O conheçamos melhor.
No Vale da Consolação, Davi escreveu os mais lindos Salmos. No Vale da Consolação, Elias ouviu a voz suave de Deus (o Espírito). Nos Vales da Consolação, Jesus derrotou satanás com a Palavra, com a obediência e com o amor.
O seu vale pode ser na caverna do isolamento, no deserto da escassez ou no Getsemani da dor. O cenário nunca é agradável, nunca é um lugar onde escolhemos estar, por isso somos conduzidos, incrivelmente, para o nosso próprio bem.
Deus trabalha de formas estranhas e questionáveis. Quem conheceu a mente do Senhor? Nossos projetos e formas de trabalhar tornam-se tolas e mesquinhas diante dos pensamentos de Deus. A bíblia diz que eles são mais altos que os nossos. E verdadeiramente o são.
No Vale da Consolação conhecemos o que é consolo. Parece obvio mas não é. Muitos de nós vivem consolando pessoas ao redor sem saber, com propriedade, o que é o consolo, tão pouco conhecem seu autor, aquele que a bíblia chama de O Consolador, o Espírito Santo.
Ao me converter, abracei com facilidade a paternidade de Deus e me apaixonei pela pessoa de Jesus, meu fiel e eterno amigo, que me inspira em todas as horas. Mas eu sabia que conhecia o Espírito Santo de ouvir falar e que chegaria o momento de andar verdadeiramente com Ele.
No Vale da Consolação, somos carregados no colo do Espírito, pois não podemos andar com as próprias pernas. O cenário de dor é amenizado pela onda de amor que nos cobre. O Espírito nos aconselha, direciona, consola, refrigera, fortalece, capacita e constrange com sua presença. E nós só experimentamos todas estas coisas quando nos deixamos ser carregados em seu colo, quando dependemos dEle.
O Vale da Consolação é lugar de solidão. Não espere a companhia do cônjuge, o apoio da família, a compreensão dos amigos, o incentivo de seus líderes...Ninguém que está do lado de fora te convidaria a estar neste lugar, tampouco entraria nele com você. Isso é obra do Espírito, pois só Ele caminha junto com você neste vale.
Você ainda pode ser julgado, pressionado, mal compreendido, ofendido e até desprezado por estar lá, mas não se preocupe, porque ainda assim o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação  (2 Co 1:3) estará com você.
Olhemos novamente para estes homens que estiveram no Vale da Consolação: Davi, Elias, Moisés, Paulo e o próprio Jesus. Quem foram eles e o que fizeram ao sair destes vales? Se isto lhe serve de consolo, vale a pena passar por este vale!
Não precisamos entender, basta confiarmos.
Juliana Martucci Martins
Leveza...quantos conhecem o significado disso? Eu tenho provado o poder medicinal da leveza. Acordar cedo, abrir as portas e janelas de casa para entrar o sol. Sentir o calor do sol na pele. Fazer um café cheiroso que perfuma toda a casa e até acorda o marido. Tomar um café da manhã saudável e devagar, lendo a Palavra, ou um bom livro, ou simplesmente apreciando o momento, sem checar ligaçoes em nenhum dos 4 telefones. Aprender a desligar o celular de vez em quando e não se sentir culpada por isso.
Depois disso começar o dia com disposição, sem aquela tensão do que vai acontecer daqui 1 minuto ou o que preciso fazer para a reunião da semana que vem, ou quando teremos uma data pra marcar o próximo ensaio, etc. Sem medo do telefone ou a campainha tocar. Sem medo de abrir os emails. Fazer as tarefas que estão paradas há tanto tempo, com calma, sem desespero e sem precisar parar pela metade e deixar pra outro dia. Cuidar da casa, com pequenas atitudes que eu já nem lembrava mais como se faz. Cuidar da saúde, bebendo muita água, fazendo uma dieta balanceada, fazendo refeiçoes nos horários normais, como a maioria das pessoas fazem. Fazer suco natural no liquidificador. Usar adoçante (inclusive no café) e não achar ruim! Dormir e acordar em horários normais também. Ir à feira comprar frutas e legumes à vontade! Fazer receitinhas "leves", que não engordam e ajudam na dieta. Subir na balança e perceber que perdi 2 kg em uma semana! Marcar consultas e exames. Comprar coisinhas de mulher em promoção (ou não).
Falar com meus pais diariamente, ainda que seja por telefone. Rever ou contatar amigos que há muito não vejo nem converso. Reviver sonhos adormecidos.
Aceitar que sou falha e as pessoas também, e sempre seremos; sabendo que mesmo assim Deus nos usa e se manifesta através de nós. Aceitar que eu jamais vou mudar as pessoas e sim, talvez elas passem a vida inteira sem mudar, mesmo que eu tenha gastado tempo e lágrimas investindo e acreditando na mudança delas.
Respirar aliviado por enxergar que a solução dos problemas e o caminhar da obra não depende de mim, mas do Espírito Santo.
Terminar o dia com a sensação de que finalmente estou vivendo um dia de cada vez, receber um abraço protetor do marido, conversar com Deus e dormir antes da meia noite, sem ter pesadelos ou acordar de madrugada pensando em problemas.  
Chamo isto de leveza, que é fruto da graça, e que estou redescobrindo agora (ou descobrindo, não sei). Mas tudo isso tem um efeito poderoso de cura na vida de qualquer pessoa que tenha pego o atalho errado no caminho.
Pois é, estou em reforma também e não podia ser diferente. Entreguei meu fardo aos pés de Jesus e agora estou reaprendendo a viver...
Juliana Martucci Martins
São 8:24hs da manhã desta segunda-feira. Estou acordada desde as 7hs esperando o pedreiro que vem quebrar a parede do meu banheiro que está com vazamento. Vou aproveitar e ver se ele pinta meu quarto, que já está precisando de um retoque. Aliás, a casa toda já precisa. Já se foram 4 anos de reforma e as coisas começam a dar defeito, envelhecer, manchar, e eu sei que quanto mais eu prolongar isso, piores serão as consequencias lá na frente. 
A reforma é inevitável. Precisamos estar atentos aos sinais de quando ela se faz necessária.
Toda esta introdução foi para falar de uma outra reforma da qual se ouve rumores por aí. A reforma da Igreja de Cristo. A Revista Época de 2 semanas atrás fala sobre a Nova Reforma Protestante:
"Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira" (trecho da revista)
A Revista não está trazendo nenhuma grande novidade, já que isto tem sido pauta de tantas discussões formais e principalmente informais entre os cristãos. Muito se fala sobre a restauração final da Igreja (estou revisando um livro sobre este assunto), restauração dos 5 ministérios, sobre o genuíno apostolado (muito raro hoje em dia, apesar da superpopulação de "apóstolos" que conhecemos) , Igreja nos lares e coisas relacionadas a isto. Todos ansiando por algo novo, ou melhor, ansiando voltar ao princípio das coisas, ao caminho certo, do qual nos afastamos tanto. 
Mas considero esta uma boa notícia. É sinal de que nossos anseios estão ganhando expressão. Quando o assunto sai numa revista de tal porte, sabemos que trata-se de um senso comum e não de uma minoria isolada. E mais do que isso, vejo como uma testificação do Espírito Santo, pois é Ele quem nos leva a clamar por esta restauração. 
Por outro lado, sabemos que existe uma grande diferença entre reforma e restauração. Qualquer engenheiro ou arquiteto pode explicar bem isso. Não é só uma questão de etimologia, mas de propósito. A Igreja necessita mais do que uma reforma. Precisa de uma restauração! Precisamos ir à planta do projeto resgatar as medidas, cores e ordem das coisas originais.
Desde Constantino a Igreja nunca mais foi a mesma fundada por Pedro,  Paulo e os outros. Vem sofrendo bruscas transformações beirando a insanidade muitas vezes (se é que não chegou nela!). Os patéticos estão em todo lugar. Na TV, no rádio, na política ou numa igrejinha bem perto de você, seja lá onde você mora! E não importa a placa, eles são Igreja de Cristo, ou dizem ser...Não tenho capacidade de julgar isso, mas é assim que todos lá fora nos enxergam: uma só Igreja, com vários nomes, vários costumes esquisitos, mas um só povo: os crentes! Somos motivo de chacota para o mundo que queremos alcançar e conquistar. 
Mas não é só isso! Quando olhamos pra dentro de nossas próprias igrejas, vemos que os patéticos também somos nós! O que aconteceu com os "cultos de adoração ou ação de graças a Deus"? O que aconteceu com os seguidores de Cristo que não suportam ouvir a sã doutrina, porque isso não agrada seus sensíveis ouvidos? O que aconteceu com a "liberdade do Espírito" que ficou cheia de regras? O que aconteceu com a GRAÇA que foi substituída por um fardo tão pesado que tem feito muitos ministros do evangelho abrir mão do arado? 
A reforma pode até funcionar, como a de Lutero, e é importante que aconteça, mas é limitada. É obra de homens. Precisamos mesmo é sermos restaurados como Igreja. Precisamos santificar e adornar a Noiva que Jesus vem buscar, e não tenho dúvidas que isto está perto de acontecer. Mas a restauração é obra do Espírito. Busquemos isso juntos, em oração, em súplicas e, o mais importante, obedecendo atentamente à Sua voz!
(Falarei mais sobre isso num próximo post.)