Juliana Martucci Martins
Depois de anos ouvindo dizer que Deus "é teu Pai e quer te mimar", que Ele "se alegra com a tua prosperidade", que "Jesus se fez pobre para que você fosse rico" (essa me dá náuseas), que "filho do Rei tem que ter o melhor (carro, casa, queijo suiço na geladeira, etc)" e outras baboseiras, eu finalmente fui impactada com a VERDADE pura e genuína do evangelho da cruz. Embora sempre desconfiasse desses jargões quando olhava pra vida de Jesus tão cheia de simplicidade, eu, como toda a massa, me sentia anestesiada ao ouvir estas coisas num momento de aflição. Ía pro culto ouvir uma "mensagem de ânimo" de um pregador bastante entusiasmado que parecia nunca sofrer nem uma dor de barriga, cantar e dançar uns 3 ou 4 louvores de auto-ajuda, e estava pronta pra começar a semana "cheia de fé", que durava até terça ou quarta-feira...Essa é a realidade da grande massa "evangélica" hoje.

É isso que o evangelho do "positivismo" faz: cria um "deus" que não habita no sofrimento e na dor, um "deus" que não existe...Quanta pretensão! Quanta arrogância! Quanto engano! Onde foi parar a graça? Onde foi parar a cruz? Onde foi parar "Jesus" nesse evangelicalismo superficial, fútil e banal?

Ainda bem que temos exemplos que derrubam facilmente esta tese! O que dizer dos sofrimentos de Jó, de Paulo e do próprio Jesus? Dá pra dizer que foram abandonados por Deus, só porque sofreram aflições, humilhações e dores em seus corpos?

Em minha vida, creio que cheguei à estrada de Damasco, onde fui derrubada do cavalo e me tornei cega, assim como Saulo...E creio que foi o próprio Jesus quem me trouxe até aqui.

Acolhido por Barnabé, Saulo aprendeu que toda sua religião estava matando não somente a outros, mas a si próprio. Saulo era um homem cheio de qualidades e potencial, mas estava focando suas forças da maneira errada, da maneira que aprendeu com seus mestres. Então Jesus entra na sua história e muda sua vida do avesso! Que tremendo tombo do cavalo fez de "Paulo" este homem que conhecemos! Quatorze anos reaprendendo a ser alguém, e vejam o resultado! Paulo caiu do cavalo para que pudesse se render aos pés de Jesus. Para que toda seu orgulho e arrogância do "saber" fossem reduzidos como o pó daquela estrada. Ficou cego para que pudesse finalmente enxergar a Verdade e depois abrisse os olhos dos que não enxergavam.

Assim também havia orgulho no coração de Jó, por ser um homem justo e bom, mas aprouve ao Senhor santificá-lo e provar sua total dependência dEle. O Senhor o justificou e devolveu o dobro de tudo que lhe foi tirado porque Jó finalmente entendeu que ele não era bom o bastante, e nunca seria, diante da grandeza de Deus. 

Quando Deus olha pra alguém e enxerga um coração que O teme e O ama, independente de suas fraquezas, é isso que Ele faz: derruba do cavalo e o torna cego, para depois o levantar e lhe entregar uma visão. Em outras palavras, se Deus acredita em você, Ele irá quebrá-lo, porque não pode derramar vinho novo em odres velhos. O novo de Deus não pode ser contido numa velha estrutura, numa mentalidade cheia de ransos, num coração cheio de feridas. Deus precisa tomá-lo em Suas mãos e refazê-lo para que você se torne um vaso adequado para honra. O Senhor não edifica uma obra nova em fundamentos comprometidos, alicerces rachados, em construção humana. O Senhor faz tudo novo! E eu o glorifico por isso!

O que os homens fizeram de Saulo? O tornaram um homem respeitado, culto, temido, instruído, comprometido, leal às suas leis e costumes, e de boa reputação para a sociedade. Um homem "de bem". Mas Deus o transformou em Paulo, homem simples, perseguido, desacreditado, humilde, sem teto, sem posses, ignorado até pelos amigos, porém um grande mensageiro de Deus, um apóstolo escolhido pelo próprio Cristo, um edificador da Igreja e restaurador de veredas.

Sim, Deus está presente na dor, e mesmo quando sofremos aflições, Ele está conosco, e Ele tem propósito nisso. Um tombo do cavalo pode render uma eternidade de frutos e de glória. Nossas aflições apenas nos lembram o quanto somos pobres, cegos e nus, pequenos e insiginificantes diante da grandeza do nosso Deus, e totalmente, completamente dependentes de Seu amor e graça! Não há nada, simplesmente nada em nós que nos torne "bons", se não a graça de Deus! E esta lição é justamente a que jamais podemos nos esquecer...

Perigoso é permanecer em cima do cavalo pra sempre...
Juliana Martucci Martins
Tentei escrever alguma coisa, não consegui. Então entendi que o momento é de reflexão instrospectiva. Creio que, quando o momento certo chegar, terei muito a dizer, e direi com convicção. Enquanto isso....enjoy the silence!

Juliana Martucci Martins
É impressionante como alguns conceitos se tornaram tão relativos no mundo moderno. Confesso que isso me assusta. A palavra amor, por exemplo, pode ter mil e uma interpretações diferentes, e esta é a causa de muitos conflitos nos relacionamentos. Dizer que ama, nesse mundo de relativismos, não quer dizer muita coisa, se não for demonstrado em atitudes.
A mesma coisa é a palavra liberdade. Meu Deus, que palavra perigosa num mundo relativista! Pare um pouco pra analisar o que as pessoas pensam sobre liberdade...
Para a maioria, ser livre significa fazer o que bem entende, matar a vontade da alma, seja qual for a consequência disso. Alguns dizem serem livres para justificar suas piores paixões, perversões, ambições, desejos. Disse um sábio que a minha liberdade termina onde começa a do outro, portanto, essa história de "ser livre é fazer o que eu quero", é enganosa e perigosa. Esse conceito maligno justifica muitas das calamidades que assistimos diariamente nos jornais. Eu sou livre, então posso roubar, matar, enganar. Posso desviar verba, posso mentir descaradamente, posso prejudicar uma nação inteira pra me dar bem. Eu sou livre então posso sair com quem eu quiser, fazer o que eu quiser, destruir um casamento, uma família, posso seduzir uma garotinha, posso trair meu esposo e filhos, posso destruir amizades por conta de um capricho meu. Sou livre para detonar meu corpo com todo tipo de substâncias, para me expor escandalosamente diante das pessoas, para chocar a moral e a educação dos filhos alheios. Eu sou livre e dane-se o mundo? Sabemos que não é assim que funciona. Quando a coisa inverte pro seu lado, você certamente não vai concordar com a liberdade do outro, porque esta prejudicou você ou alguém que você ama!

Existem outros tipos de liberdade mais, digamos, veladas, mas também nocivas. A liberdade de pensamento, fruto do intelectualismo, onde toda a verdade se torna relativa. Concorda comigo que, se cada um resolve viver sua própria verdade, o mundo vira um caos? Ora, e o que é que está acontecendo se não isso? Para onde toda a ciência e conhecimento tem nos levado, se não para um distanciamento de pessoas, perda de valores, frieza de relacionamentos e orgulho intelectual? Sim, graças a Deus somos livres para pensar! O homem que renova sua mente, evolui! O problema é que transformamos isso em muralhas que nos separam, e não em pontes que nos ligam uns aos outros. O ser humano tem mania de usar algo bom para sua própria destruição.

E quanto à liberdade religiosa? É assustador o número de "caminhos que têm levado a Deus" ultimamente. Pior é saber que muitos desses caminhos foram construídos com base em enganos e tem beneficiado alguns e prejudicado a muitos. A religião não nos liga a Deus, nem os rituais, nem os objetos, nem os intermediários. O que nos liga a Deus é nosso próprio relacionamento com Ele. É muito simples se achegar a Ele, mas a nossa "liberdade religiosa" tem complicado demais o caminho, e nos levado a perdição.

Agora existe sim uma liberdade genuína que independe destes conceitos, da cultura, do momento, do lugar, das circunstâncias, do governo, da educação, da família: a graça! A graça é a maior verdade libertadora que nunca ninguém jamais conseguiu superar. Difícil até de explicar. Melhor é vivê-la. 
Ser livre é saber que não foram as minhas obras que me libertaram, porque elas nunca serão boas o suficiente pra isso. Sou ser humano, falho e fraco. Mas o que me liberta é o amor e a graça de Deus derramados em minha vida. Reconhecer isso é a chave da liberdade. Só então eu posso ser livre para escolher entre o bem e o mal, poder escolher viver de um modo que não prejudique o outro, em nenhum aspecto, ainda que pra isso eu precise renunciar minha própria carne que outrora me aprisionava no pecado. Eu sou livre para escolher amar, mesmo a quem não quer ser amado. Perdoar, mesmo a quem não mereça. Socorrer, mesmo a quem não me peça ajuda. Negar minha vontade, para que um bem maior prevaleça. Negar a mim mesma, por amor a outra pessoa. Dizer "não" a qualquer tipo de ditadura, mesmo quando todos dizem "sim". Isto é liberdade. E esta, infelizmente, é a que poucos conhecem.

"Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens,
ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente" (Tt 2:11,12) 
"Onde o Espírito de Deus está, aí há liberdade" (2 Co 3:17)
"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8:36)
Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
Tiago 2:12

Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
Tiago 2:12
Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,

Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente,
Tito 2:11-12